quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Conta pra mim!...

Conta pra mim de onde a gente se conhece...

De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui, quando eu sei que não estava.

Conta por que nada do que diz sobre tu mesmo me parece novidade, como se eu estivesse lá, nos lugares que relembra, quando eu sei que não estive.

Conta onde nasce essa familiaridade toda com os teus olhos.

Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos.

Conta de onde vem a intuição da tua existência tanto tempo antes de nos encontrarmos.
Conta pra mim de onde a gente se conhece.

De onde vem o sentimento de que a tua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci.

Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos.

De que ouvimos muito além do que dizemos.

De que as palavras, às vezes, são até desnecessárias.

Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros cantem perto da tua janela quando acorda a cada manhã.

De onde vem essa prece que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre, para que todo final do dia tu possa dormir em paz.

De onde vem essa repentina admiração tão perene.

De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam muito antes dos nossos olhos se tocarem.

Conta por que tudo o que é precioso no teu mundo me parece que já era também no meu.

De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão lindo, assim tão puro.

Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas, como eu sinto que nunca deixaram de estar...